segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

DMP entrevista Sylvia Barreto- Primeira Princesa do Miss Brasil 2011

Por Priscila Trindade


Com grande visibilidade, o mercado Plus Size vem despertando aquele sonho de ser modelo nas meninas que sempre tiveram um manequim grande. Mas o sonho não basta! 

Convidamos Sylvia Barreto, 29 anos, modelo plus size com grande destaque e diversos trabalhos como catálogos e desfiles para grifes como Kauê Plus Size, Melyzê, Maxi Plus, Kabene Jeans, Etiketa Plus Size, ente outras, para contar um pouco como é ser modelo e as principais dicas para você que quer seguir essa profissão. 
Sylvia começou a carreira em janeiro de 2011 e é uma pessoa muito admirada por seu profissionalismo, simpatia e claro, por sua beleza. Acompanhe com a gente! Tenho certeza que vocês vão adorar!! E no final, temos um recado especial para as leitoras do Diário de Moda Plus. 


DMP - Sylvia, muitas leitoras conhecem o seu trabalho, mas quem é a Sylvia fora das passarelas e das lentes fotográficas? 
Sylvia Barreto - Fora das passarelas, eu trabalho muito com a profissão na qual me formei. Sou jornalista, tenho site e blog (o Viajar é Simples) sobre turismo. Viajo bastante para poder escrever as matérias e também acabo fazendo trabalhos free lancer para jornais e revistas e até de assessoria de imprensa. No tempo que sobra, gosto de ler, encontrar os amigos para restaurantes, bares e baladas e curtir minha irmãzinha de quatro anos. 

DMP - Como começou sua carreira de modelo Plus Size e o que você acredita ser um diferencial para ter sucesso nesse mercado?
SB - Fui chamada por agências por anos para ser modelo plus size. Fui a uma, não gostei, depois aceitei o convite de outra e fiz um book, que nunca deu em nada, eu também não tinha muito interesse, não insisti. Anos depois, no fim de 2011, vi no Facebook de uma amiga (inclusive, foi o teu, Pri) uma matéria sobre um concurso, o Miss São Paulo Plus Size. Fui participar, não ganhei nada, mas as próprias candidatas me falaram que eu tinha perfil e deveria trabalhar com isso. Minha família viu um concurso de Miss Brasil Plus Size da Impacto Produções, eu não estava mais muito empolgada, mas disseram que eu deveria participar. Me inscrevi e fiz também a seleção para o Fashion Weekend Plus Size (FWPS), produzido pela Renata Poskus, Fiz o casting presencial com ela e a equipe e passei. Alguns dias depois, aconteceu o Miss Brasil. Fiquei em segundo lugar e foi bom porque aprendi algumas coisas e tive alguma noção do mercado. Logo depois, foi o FWPS, minha primeira aparição como modelo mesmo. A partir desse ponto, as coisas começaram a acontecer. Claro, tive ajuda de muitas pessoas que reconheceram meu trabalho, como a própria Renata Poskus e outras, e me deram oportunidades e também apoio da minha família e amigos. Acho que um diferencial é que eu sempre cuidei bem de mim, dos cabelos, das unhas, da pele. Eu sou bem “mulherzinha” nesse ponto, passo cremes, vou ao cabelereiro regularmente, quero sempre me sentir bem. Além disso, trabalho como modelo com a mesma seriedade que sou jornalista, cumpro com minhas obrigações como contratada e não deixo de comparecer a um compromisso se dei minha palavra. E, também, algo que trago do jornalismo, é não ter vergonha. Isso é muito bom na hora de tiras fotos ou desfilar, e de abordar as marcas. Estou acostumada a abordar pessoas para entrevistar, então abordar as marcas para oferecer meu trabalho de modelo também não é difícil para mim. 

DMP- Qual a sua rotina de modelo Plus Size? 
SB- Como eu disse, sempre cuidei muito da pele e dos cabelos, isso não mudou. Então, essa parte continua igual na minha rotina. Não é todo dia que tenho trabalho. Mas, quando tenho trabalho ou castings, procuro dormir mais cedo no dia anterior, porque eu sempre durmo tarde, para acordar mais relaxada no dia seguinte.


DMP- Conte para nossas leitoras como funcionam as seleções e as principais dicas para ter sucesso como você. 
SB- Nem toda seleção é igual. Muitas marcas exigem teste presencial e, outras, contratam só pelas fotos. Por fotos, mande sempre as profissionais, nada de foto caseira com a parede da cozinha de fundo! Não precisa ser muito produzida, podem ser fotos simples para que o cliente consiga te ver bem. Nada vulgar também. Já nos castings presenciais, vá com maquiagem leve, mas não deixe de ir maquiada, com o cabelo bonito, unhas feitas e, de preferência, com uma calça/shorts/saia jeans e blusa. Na verdade, o importante é que vá com uma roupa que se sinta bem. Digo para ir com duas peças porque já fui a testes de vestido e precisava experimentar e desfilar para o cliente vestindo uma blusa da marca, e eu, que estava de vestido, não tinha nada para usar na parte de baixo do corpo, se usasse uma calça, sem problemas. É também muito importante chegar no horário, mesmo sabendo que tudo atrasa. Se estiver atrasada, ligue para avisar pelo menos, seja em teste ou em algum trabalho. 

DMP- O que você acha do espaço que o mercado Plus alcançou? Isso afetou sua carreira de alguma forma? O mercado está mais profissional? 
SB- O mercado plus size cresceu muito nos últimos anos, é claro. Vejo que estamos no meio de uma revolução. Porém, acho que ainda há muito espaço para ser conquistado. Acho que são poucas as boas marcas em relação ao número de pessoas que estão acima do peso no Brasil. Também acredito que, muitas vezes, os preços ainda não são tão acessíveis. E, acho, ainda, que não só o nicho plus size deve crescer, mas as marcas tradicionais devem fazer números maiores dos modelos regulares. Por que confeccionar calças só até o 44? Em outros países, como EUA ou Canadá, encontro calças para mim em quase todas as marcas tradicionais e em qualquer shopping com facilidade. Por que no Brasil eu tenho que ficar restrita somente às marcas plus size? O crescimento do mercado plus size afeta minha carreira, claro. Quanto mais marcas aparecerem, mais trabalho eu e todas as outras modelos teremos. Mas, ainda, é um mercado pouco profissional também em termos de modelo. Muitas meninas despreparadas ou sem perfil de modelo oferecem seus trabalhos para as marcas só para aparecerem ou para ganharem roupas, até porque têm um sonho mesmo. As marcas, despreparadas também, aceitam para economizar. Acredito que com o passar do tempo o próprio mercado irá excluir de maneira natural esse tipo de comportamento, de pessoas pouco profissionais e sem perfil e também de marcas que aceitam essas pessoas. A competição entre as marcas ficará cada vez maior e elas terão que fazer trabalhos de qualidade com profissionais ou irão perder espaço para as concorrentes. É a lógica de qualquer mercado.


DMP- Dá para sobreviver com o cachê? 
SB- No meu caso, não, mas ajuda muito. Tem meses que tenho mais trabalhos de modelo, em outros menos. Também tenho que recusar algumas propostas porque muitas vezes estou viajando. Mas há sim modelos que vivem só disso. 

DMP- O que você acha das confecções que estão lançando diversas coleções Plus Size? Você acredita que as lojas estão preparadas para atender essa demanda por moda e tendências? 
SB- Acho ótimo que mais lojas tradicionais e de departamento lancem coleções plus size. Geralmente, elas têm preços acessíveis e acho isso muito relevante. Nem sempre elas acertam no gosto, ok, e talvez ainda tenham modelos estereotipados daquilo que uma gorda deve vestir, mas já é um grande passo se levarmos em consideração que isso acontece pela primeira vez no Brasil. Por isso, acho que essas lojas ainda não estão preparadas em termos de demanda nem de tendência, mas estão no caminho. Já as marcas exclusivamente plus size estão cada vez mais antenadas nas tendências. 

DMP- Falando em moda, como você define seu estilo? Você acha que existe roupas proibidas para gordinhas? 
SB- Acho que me visto de forma bem feminina e sensual. Não sei se tem algo proibido para gorda, magra, alta ou baixa, acho que tem que experimentar e aprovar, independente de ser gorda ou não, os corpos são diferentes. Pode ser que tenha algo que vai ficar bom em outra gorda e que em mim ficará péssimo. Ser modelo derrubou alguns mitos que eu mesma tinha como não usar calças brancas ou estampadas porque tenho o quadril largo. Trabalhando eu tenho que colocar qualquer roupa e vi que calças brancas ou estampadas podem sim ficar bonitas em mim. 

"Não sou apenas um rosto bonito. Sou inteira bonita!"



DMP- Deixe seu recado para nossas leitoras
SB- Vejo muita gordinha querendo se tornar modelo empolgadas com essa grande “revolução” que o mercado plus size tem sofrido. Recebo recados de meninas perguntando o que elas precisam fazer para se tornarem modelos. Tudo isso me preocupa muito. Em primeiro lugar, acho que todo mundo deveria pensar que não basta ser magra para ser modelo tradicional, logo, não basta ser gorda para ser modelo plus size. É preciso sim ser proporcional, se cuidar (corpo, cabelo, unhas, pele, etc) e ser desinibida como profissional. Não dá para ter vergonha de desfilar ou de tirar fotos. Ter mais de 1,65 m de altura também é algo importante. Outra coisa é o manequim. É evidente que no mercado plus size atual as profissionais que mais trabalham são aquelas com manequim 46 ou 48. Isso não é excluir os manequins maiores, mas acontece que no início de cada coleção as marcas têm, muitas vezes, apenas a peça piloto (modelo) e elas não são feitas nos maiores tamanhos nesse momento do processo de confecção. A vida de modelo também não é nada cheia de glamour e fácil como pode parecer. Para começar, agência para plus size não funciona tão bem quanto para o mercado tradicional. É preciso fazer contatos e estar sempre ligada em seleções. As marcas podem marcar sua sessão de fotos para as seis da manhã e você vai ter que estar lá e linda ainda por cima. Os cachês não são maravilhosos e, como em qualquer outra profissão, você vai ter que trabalhar muito e em cima do salto! É muito importante estar com a autoestima em dia. Você vai vender a sua imagem. Se você não se cuidar e não se achar linda isso vai transparecer de uma maneira ou de outra. Se você já se sente mal com seu manequim, vai se sentir muito pior quando for recusada em alguma seleção. Eu já fui recusada em muitas. Não pode se achar pior por isso ou desistir. Da mesma maneira que já recebi muito “não”, recebi outra porção de “sim”. Às vezes o seu perfil só não é aquele que o cliente procurava. Só isso. Outro fator a ser considerado é o tempo. Você pode ir a seleções no meio da semana em horário comercial? Se não pode, sua vida como modelo já estará comprometida. E, pelo que eu vejo, os trabalhos no mercado plus size são mais freqüentes na região sul, São Paulo ou Rio de Janeiro. Pessoalmente, vejo São Paulo como o melhor lugar para estar nesse ramo. Não que você não possa morar em outras cidades e ser uma modelo com muitos trabalhos. Mas se quiser mesmo essa carreira, prepare-se, ou pelo menos tenha disponibilidade para idas a São Paulo ou até para mudar de cidade.